11/05/2008

APAF sobre o "Apito Final"

1. Foi tomada pelas instâncias desportivas, ao fim de 4 anos e 1 mês do início do processo “Apito Dourado”, uma decisão disciplinar de condenação de alguns agentes desportivos, clubes, dirigentes e árbitros incluídos, relativa a alguns jogos de Futebol pela prática de actos de corrupção desportiva. 2. A APAF, enquanto única associação representativa dos Árbitros de Futebol, entende que é de saudar a tomada de decisões disciplinares, como meio de credibilizar as competições desportivas e todos os agentes desportivos nelas envolvidos, já que é imprescindível garantir, efectivamente, o cumprimento das normas, legais e regulamentares, referentes à ética desportiva. 3. Não pode, porém, a APAF deixar de afirmar que é totalmente inaceitável que os actos que atentam contra a ética desportiva, quer na previsão das normas regulamentares quer na concreta aplicação ora feita, tenham um tratamento «diferenciado», de modo não equitativo, desigual e injusto, no que respeita às sanções aplicáveis aos Árbitros em comparação com as aplicáveis aos demais agentes desportivos (para as mesmas situações). 4. De facto, embora aos Árbitros seja exigida maior responsabilidade sócio-desportiva (à qual, porém, raramente correspondem, nos Regulamentos, mais direitos), manifesto é que as sanções que, em concreto, foram aplicadas aos Árbitros, são, comparativamente, muito mais gravosas do que as penas aplicadas aos demais agentes desportivos – o que é inaceitável e, confia-se, seja tomado em devida conta pelas autoridades, quer desportivas quer judiciais. 5. A APAF, condenando vivamente todo e qualquer acto de corrupção desportiva, entende que, face à insignificante quantidade de Árbitros envolvidos, às específicas funções dos mesmos e ao “isolado” número de jogos em causa, não está, de forma alguma, posta em causa a credibilidade dos Árbitros e da Arbitragem portuguesa, a qual, cada vez mais, é solicitada, face ao seu prestígio, para dirigir jogos no estrangeiro, quer oficiais quer, até, de natureza particular. 6. A APAF apoia, como sempre o fez, todas as medidas no sentido de se reforçar a ética desportiva, maxime ao nível das medidas de prevenção e repressão da corrupção desportiva; mas, também por isso, 7. a APAF apela às autoridades governamentais e às autoridades do Futebol no sentido da urgente aprovação de um Código de Ética Desportiva aplicável a todos os agentes desportivos, implementando, rapidamente, o Código de Ética da FIFA, há muito divulgado no seu Site. 8. A APAF apela ainda para que o termo dos Campeonatos, e toda a demais vida desportiva do País, seja encarada, por todos, com determinação mas também com a necessária calma e serenidade e com respeito por tudo e todos. 9. É que o Futebol e o Desporto é apenas uma actividade do Homem e não toda a sua vida pois, e sem prejuízo do seu legítimo direito de recurso, os agentes desportivos agora sancionados são, antes de tudo, seres humanos e cidadãos. 10. Por último, a APAF entende que é necessário que seja criado um forte Movimento no sentido da Regeneração do Futebol, juntando, rapidamente, numa Jornada de Reflexão do Futebol Português, todos os seus principais agentes, maxime os Presidentes das várias entidades, Clubes, Jogadores, Treinadores e Árbitros, em ordem ao estabelecimento de um Acordo de Concertação do Futebol, do qual resultem medidas claras, sérias, duradouras, profundas e enraízadas, para o seu Futuro, em ordem a preservar a sua Riqueza Comum. Lisboa, 11.05.2008 APAF – Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Após submeter o seu comentário, este será aprovado pela administração antes de ser publicado.