01/05/2008

Proença e Duarte Gomes falam sobre o "Apito Dourado"

Pedro Proença, árbitro internacional e testemunha de defesa do arguido e árbitro Valente Mendes, disse hoje em Gondomar que “o Apito Dourado mudou muito o futebol português”, tendo criado “dúvidas sobre a credibilidade das pessoas”.
Proença contou ao colectivo de juízes que ficou “perplexo” quando ouviu “falar no nome de Valente Mendes” associado ao processo de alegada corrupção no futebol, já que “o Fernando (Valente Mendes) era exemplar”. “A única razão que impediu o Fernando de chegar tão longe como eu cheguei foi o handicap da sua idade”, sustentou Proença durante o seu testemunho.
Valente Mendes, árbitro da Associação de Futebol de Lisboa que, em 2003/04, integrava a 2ª Categoria Nacional de Árbitros, está acusado de três crimes de corrupção desportiva passiva sob a forma de autoria. Sobre as ofertas alegadamente dadas pelos dirigentes dos clubes aos árbitros, em troca de contrapartidas, Proença contou que “existe uma norma internacional de receber bem a pessoa e no final existe o hábito de ofertar algo característico”. “É algo que aceito com toda a naturalidade. Recebi o que sempre considerei uma boa forma de acolhimento”, relatou o árbitro internacional.
Em relação à alegada arbitragem tendenciosa, Pedro Proença explicou que “arbitrar no Norte é completamente diferente de arbitrar no Sul”, pelo que “há a 18ª lei, a lei do bom senso”. “Não estamos a faltar à verdade desportiva se soubermos gerir o jogo”, referiu o árbitro internacional.
Para tentar desmontar a acusação de que Valente Mendes terá, alegadamente, falado com o co-arguido José Luís Oliveira antes de uma partida para a combinação de jogos, Proença relatou que “como árbitro tinha de estar sempre disponível” para atender chamadas de dirigentes, o que não implicava qualquer tipo de acordo.
Também Duarte Gomes, árbitro internacional e testemunha de Valente Mendes, contou em Gondomar ter recebido “telefonemas de dirigentes a criticar a actuação”. “Como entendi que esse contacto fugia aos princípios éticos dei conhecimento a quem de direito”, frisou Gomes ao tribunal.
Relativamente às alegadas ofertas dadas aos árbitros, Gomes disse mesmo que “não é com três garrafas de vinho e um presunto que o árbitro vai deturpar a verdade desportiva e até é ofensivo que alguém pense assim”.
Já à saída, Duarte Gomes comentou com os jornalistas que “é bom que este processo abane com as estruturas de quem estava com outras ideias sobre a arbitragem”. O julgamento continua na próxima segunda-feira, a partir das 14h00, com a inquirição de Artur Quintas e Óscar Coutinho, testemunhas arroladas pelo Ministério Público, e de testemunhas do Dragões Sandinenses, equipa assistente no processo.
fonte: OJOGO

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