23/10/2009

"Pontapé de Canto" - 2# José Carlos Lopes

Depois do arranque deste espaço na semana anterior, que deu o pontapé de saída com Mário Ventura, eis que surge a segunda entrevista. José Carlos Lopes é jornalista da Antena 1/RTP, e aceitou participar nesta "pequena conversa" sobre o nosso sector: arbitragem!

Nome: José Carlos Lopes

Idade: 48

Profissão: Jornalista

Entidade Patronal: RTP/ Antena Um

Depois do arranque deste espaço na semana anterior, que deu o pontapé de saída com Mário Ventura, eis que surge a segunda entrevista. José Carlos Lopes é jornalista da Antena 1/RTP, e aceitou participar nesta "pequena conversa" sobre o nosso sector: arbitragem!

ArbiFute: Árbitro profissionais em Portugal? Porquê?

JCL: Penso não ser possível responder a esta pergunta sem antes termos a resposta a uma outra: Os agentes do futebol aceitam de forma clara a existência separada do futebol profissional e o dito não profissional?

Esta discussão nunca aconteceu verdadeiramente. Há algumas tentativas quase envergonhadas mas nunca foi assumida.

Se chegarmos à conclusão que já temos essa situação – um futebol profissional e outro não profissional - , então, não se percebe… se existe profissionalismo dos dirigentes, treinadores, jogadores, roupeiros, etc… que fiquem apenas os árbitros fora desse universo.

ArbiFute: Muito se fala das novas tecnologias, ou como uns dizem, "meios auxiliares dos árbitros", na sua opinião seria benéfico para o futebol essa medida?

JCL: Essa é uma discussão que está ultrapassada pelo tempo. A utilização das novas tecnologias foi recusada pelo International Board o ano passado em reunião realizada no dia 8 de Março.

Estavam em causa duas propostas: : uma bola "inteligente" com um microchip, desenvolvida pela Adidas e pela companhia alemã Cairos, e uma solução baseada em câmaras, projectada pela Hawkeye, companhia que já faz esse tipo de trabalho para os jogos de ténis e de críquete.

Não acredito ser possível o recurso a novas tecnologias pelo futebol nos próximos anos.

ArbiFute: A UEFA adoptou recentemente, e mais concretamente, na Liga Europa, os árbitros de baliza. São estes uma boa alternativa aos meios tecnológicos?

JCL: Para já não é possível uma conclusão. Ainda estamos numa fase experimental, embora, Michel Platini, Presidente da UEFA, Pai dos seis árbitros, já tenha dito que pretende em 2010 ter equipas de arbitragem com seis membros na Liga dos Campeões e em 2012 no Campeonato da Europa.

Lamento também que muitos tenham emitido opiniões durante e após a primeira jornada da Liga Europa mostrando completa ignorância sobre, por exemplo, a função dos árbitros adicionais e a nova movimentação do árbitro principal.

Tive, então, a oportunidade de fazer um trabalho para a Antena Um sobre as novas equipas de arbitragem e, se me permite a imodéstia, está à vossa disposição para ajudar no esclarecimento. (ver mais em baixo)

Deixe-me dizer mais algumas notas sobre as equipas de seis árbitros:

1 – Os árbitros ainda estão a aprender, tanto mais, para além duma reunião de dois dias nos finais de Agosto, em Nyon, com os 24 árbitros principais indigitados para a Liga Europa – Jorge Sousa e Bruno Paixão foram os juízes portugueses presentes – nada foi feito pela UEFA. Os árbitros receberam directrizes e sugestões da UEFA e nada mais;

2 – O árbitro adicional vai ser mais interventivo no futuro, é a minha convicção. Para já, movimentam-se pouco e raramente entram no campo de jogo, possivelmente, com receio de invadirem a área de jurisdição directa do árbitro principal;

3 – No futuro existirá um sétimo árbitro, à semelhança do futebol americano. Aí, o sétimo juiz tem a incumbência de visionar em replay as imagens do jogo e informar o árbitro central. Por outras palavras, acredito na utilização das novas tecnologias numa segunda fase, daí ter dito que considero a discussão adiada para daqui a alguns anos.

ArbiFute: Como está a avaliar a arbitragem esta época na Liga?

JCL: Nenhuma surpresa. Respeito a posição de Luís Guilherme, Presidente da APAF, que, em entrevista à Antena Um, e quando lhe foi pedido um balanço da arbitragem às seis primeiras jornadas respondeu:”O balanço é positivo. Os árbitros, como os jogadores, treinadores e dirigentes, também estão no início da época.

ArbiFute: Qual, na sua opinião, o melhor árbitro português?

JCL: Esse é um dos problemas da arbitragem portuguesa. Não temos o melhor árbitro, ou se quiser, o árbitro. Necessitamos desse árbitro para estar nas grandes competições, campeonatos europeu e Mundial, e também para ser uma referência e levar mais gente para a arbitragem.

ArbiFute: Sendo jornalista, e estando ligado ao futebol, tem algum conhecimento sobre as Leis do Jogo?

JCL: Não frequentei qualquer curso sobre as Leis do Jogo. Os conhecimentos que tenho foram adquiridos de três formas: ler, ouvir e ver.

ArbiFute: Qual seria a "medida radical" a aplicar no futebol português?

JCL: Não acredito em medidas radicais, vejo a “medida radical” como fugir de um caos para cair noutro. Acredito na necessidade de algumas reformas e estou na expectativa para saber se a Federação Portuguesa de Futebol, ou a sua Assembleia Geral, como quiserem, vai adoptar as medidas de mudança estrutural previstas pela Lei da Actividade Física e do Desporto. Para já, no passado mês de Julho, pouco antes de terminar o prazo concedido às Federações, a Assembleia Geral da FPF disse Não e o Governo disse Nim. Segundo Laurentino Dias, Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, o assunto está a ser discutido pelos juristas do IDP.

Ligações:

Trabalho realizado por José Carlos Lopes sobre os 6 árbitros (clica para ouvir) O ArbiFute agradece a disponibilidade do José Carlos Lopes para a realização desta excelente entrevista. 1 grande abraço ;)

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