30/10/2009

"Pontapé de Canto" - 3# Tiago Girão

O ArbiFute conversou com Tiago Girão, jornalista da SIC. Como é habito à sexta feira divulgamos a terceira entrevista da rubrica "Pontapé de Canto", onde mais uma vez abordamos a questão das novas tecnologias, um tema importante no futebol.
Nome: Tiago Girão Idade: 31 anos Profissão: Jornalista TV: SIC ArbiFute: Árbitro profissionais em Portugal? Porquê?

TG: Primeiro convém perceber o que se entende por profissionais. Se, o que está em causa for apenas o aspecto financeiro, então estamos perante uma falsa questão. Os árbitros ganham muito acima da grande maioria dos portugueses. No ano passado, a Agência Lusa divulgou a tabela remuneratória dos árbitros. Por cada jogo da I Liga recebem 1000€, da Liga Honra 800€, da Taça de Portugal 560€. Em média, um árbitro pode ganhar cerca de 17.000€ por época a que se juntam o subsídio de perda salarial em dia de trabalho (80€), o subsídio de refeição (21€), o subsídio de treino (300€) e as deslocações (0,38€ por quilómetro). Na minha opinião ganham e bem se tivermos em conta que todos eles têm ainda uma segunda profissão.

Feita esta ressalva, penso que os árbitros deviam ser profisisonais no sentido em que deviam dedicar todo o seu tempo à causa da arbitragem. Teriam mais tempo para treinar, estudar, no fundo aperfeiçoar-se. Porque o maior problema da arbitragem em Portugal, como em outros países da europa, está na qualificação dos árbitros e na forma como se faz a selecção dos mesmos. Nem todos têm capacidades mentais para desempenhar tal função. ArbiFute: Muito se fala das novas tecnologias, ou como uns dizem, "meios auxiliares dos árbitros", na sua opinião seria benéfico para o futebol essa medida? TG: Na minha opinião faz todo o sentido. O erro existe e existirá sempre. Só quem toma decisões é que erra. Mas as novas tecnologias fariam com que a margem de erro fosse muito menor, o que tornaria o jogo de futebol mais verdadeiro. ArbiFute: A UEFA adoptou recentemente, e mais concretamente, na Liga Europa, os árbitros de baliza. São estes uma boa alternativa aos meios tecnológicos? TG: É certo que a experiência ainda tem pouco tempo de vida. Mas por aquilo que se viu, parece uma medida que não acrescenta grande coisa ao futebol. Michelle Platini tem sido muito pressionado a introduzir as novas tecnologias no futebol. É sabido que recusa tal ideia, mas também não podia ficar parado. Foi assim que surgiram os árbitros de baliza. Mas não deixa de ser curioso que este é o mesmo Michelle Platini que ainda há pouco tempo afirmou que a arbitragem está mal há 100 anos. ArbiFute: Como está a avaliar a arbitragem esta época na Liga? TG: Má, à semelhança dos outros anos. E assim vai continuar. Algumas pessoas têm que perceber que, por vezes, é preferível que tenham alguma contenção verbal na hora de falar da arbitragem esta época. ArbiFute: Qual, na sua opinião, o melhor árbitro português? TG: Do leque de árbitros portugueses, claro que há uma minoria que se distingue da grande maioria. Mas ainda assim não atingem o nível de excelência que seria desejável. Por isso é que nos últimos anos não houve árbitros portugueses nos principais torneios de futebol internacional. ArbiFute: Sendo jornalista, e estando ligado ao futebol, tem algum conhecimento sobre as Leis do Jogo? TG:A profissão assim o obriga. É um conhecimento feito à base daquilo que vejo, oiço e leio. ArbiFute: Qual seria a "medida radical" a aplicar no futebol português? TG: Um estágio de uns meses no futebol inglês para todos os agentes do futebol. E uma reciclagem do nosso ADN, que de resto também daria muito jeito para outros aspectos da nossa vida em sociedade.

Um abraço

Tiago Girão

O ArbiFute agradece a disponibilidade do Tiago, um grande abraço ;)

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