18/11/2009

Collina em Luanda apela ao trabalho árduo para quem quiser ser árbitro

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O ex-árbitro italiano Pierluigi Collina defendeu hoje em Angola que a profissionalização dos árbitros de futebol não é a questão mais importante desde que estes tenham tempo para se preparar para os enormes desafios do futebol moderno. Numa conferência internacional organizada pelo semanário de Luanda Novo Jornal com o tema “Futebol para além dos resultados”, Collina afirmou que para um árbitro ser amador ou profissional “é igual” desde que este possa ter “o tempo necessário” para estar em condições de corresponder às exigências do futebol dos dias de hoje. “Não vejo grande diferença entre ser amador ou profissional para um árbitro, excepto na disponibilidade de tempo para a sua preparação, porque um árbitro, para estar em condições, não só físicas como na aquisição de conhecimento, precisa mesmo de muito tempo”, disse. Nesta conferência, Pierluigi Collina, apontou três condições que considera essenciais para ser um bom árbitro: ser um decisor, um bom comunicador e ser um líder, o que implica “não ter medo de decidir em meio segundo”, onde “nada é a preto e branco e tem muitas vezes grande complexidade”, como demonstrou com exemplos de imagens onde mesmo as câmaras de televisão de vários ângulos não desfazem dúvidas. “Um árbitro também não pode ter medo de assumir responsabilidades, ter consciência de que nada surge por sorte mas sim fruto de grande empenho e muito trabalho, e ser consistente com as suas decisões, quase sempre tomadas no tempo de um abrir e fechar de olhos”, apontou. Também presente na conferência do Novo Jornal, o ex-futebolista liberiano, George Weah, defendeu que o continente africano carece urgentemente de uma academia de treinadores porque há dezenas de antigos atletas que poderiam consagrar-se também como treinadores levando a que o continente precisasse menos de treinadores estrangeiros. Defendeu que é preciso “encorajar os jovens africanos a lutar por aquilo que anseiam”, seja no mundo do futebol ou não, e deu o seu exemplo como alguém que saiu do gueto e, “com muito trabalho, disciplina e capacidade de sacrifício”, conseguiu chegar ao lote de melhores jogadores do mundo. Apontou o futebol como “unificador” e algo com capacidade inigualável de ajudar a desenvolver sociedades. Mas a antiga estrela do Paris Saint-Germain, Milan ou Marselha aproveitou ainda a passagem por Angola para chamar à atenção para a necessidade dos governos africanos apostarem no povo, facilitando o acesso às condições básicas de vida, como a saúde, água, educação, energia e criticou a corrupção. Sobre o episódio que marcou a sua agressão ao jogador do FC Porto, Jorge Costa, Weah disse que se o encontrasse hoje teria um abraço para lhe dar e lamentou as agressões mútuas, lembrando que essa situação o levou a não ser, “pela segunda vez”, considerado o melhor jogador do mundo. E aproveitou esse episódio ainda para aconselhar a todos aqueles que querem ser futebolistas a “nunca ripostar” a uma agressão.

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