21/09/2010

Vitor Pereira faz balanço da época


Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem, respondeu esta terça-feira a várias questões da comunicação social, no âmbito de uma conferência de imprensa que tinha como meta realizar o balanço da arbitragem nas primeiras jornadas da Liga principal e da Liga de Honra. As críticas do Benfica após o polémico jogo em Guimarães foram, naturalmente, o prato forte da conversa.

Que balanço faz da prestação dos árbitros até ao momento?
«O campeonato é uma maratona e conclusões definitivas só podem ser tomadas no final das 30 jornadas. As análises deste tipo que vamos fazendo servem para ter os árbitros em forma. Até agora, o valor das notas situa-se em padrões similares aos de anos anteriores. Trabalhamos para não ter em nenhuma jornada erros com influência no resultado. O que tem acontecido este ano não tem fugido às incidências de anos anteriores, mas queremos sempre mais. Vamos ter um campeonato muito difícil e intenso. Aproveito para apelar a alguma contenção nas críticas. E, em boa verdade, tem havido. Têm que se lembrar que ninguém é infalível. Isto não serve de desculpa, mas não se pode ignorar.»

Como reage às críticas do Benfica?
«Ninguém gosta de errar, mas estamos abertos às críticas construtivas, que são importantes para nós. São essas exposições fundamentadas que ajudam a corrigir os erros. Vemos isso de bom grado e como algo positivo.»


Como explica a nomeação de Olegário Benquerença, para o V. Guimarães-Benfica?
«Para esse jogo em concreto nomeamos um dos melhores árbitros europeus para uma das melhores equipas europeias. Um árbitro que está na Liga dos Campeões para uma equipa que está na Liga dos Campeões. Nesse particular, foi uma nomeação enquadrável. Se, depois, o desempenho não corresponde às qualidades intrínsecas da pessoa, é outra coisa.»

Como reage às críticas de Luís Filipe Vieira à sua pessoa?
«Não foi uma crítica à minha pessoa, mas ao presidente da Comissão de Arbitragem. Não comento dirigentes, nem treinadores. Primeiro porque temos muito prazer em dar todas as explicações aos clubes, não só porque somos obrigados a isso, mas também porque temos mesmo todo o gosto em fazê-lo. Não acho que tenham querido ferir-me. O futebol é o meu mundo, a arbitragem é a minha vida e sou um dirigente responsável. Quando alguém da minha equipa erra, erramos todos. Ficamos todos insatisfeitos, porque toda a organização é prejudicada.»

Vê as críticas do Benfica como uma forma de pressão?
«Tenho 30 anos de arbitragem, 23 anos como árbitro, 13 ao mais alto nível e 11 como internacional. Portanto, não fico, de modo nenhum, impressionado. Percebo que haja necessidade de ter esse tipo de comentários. A nós não nos incomoda, temos confiança nas pessoas.»

Sobre a homenagem da Associação de Futebol do Porto a Olegário Benquerença.
«A Associação de Futebol de Leiria homenageou, antes do Mundial, o árbitro Olegário Benquerença e os dois assistentes que são da Associação de Futebol do Porto. Esta entendeu que era aquela a melhor altura para homenageá-los também. Foi um acto público ao qual fui com muito prazer. Irei com todo o gosto a todos os actos públicos desta natureza, que servem para promover o futebol.»

Sobre a aposta em árbitros jovens:
«Há que haver algum capital de tolerância com os jovens que temos. Da mesma forma que os clubes apostam em jogadores jovens e é preciso dar-lhes tempo, conosco acontece o mesmo. Os jovens árbitros que chegam agora à Liga vêm como se viessem dos juniores. Há sempre um impacto natural e temos de lidar com isso. Temos de garantir um crescimento sustentado.»

Sobre a introdução dos árbitros de baliza:
«As equipas de arbitragem com 6 elementos obrigam a um esforço adicional. Há árbitros que têm décadas de rotina a trabalhar de uma forma e com os juízes de baliza têm de mudar toda uma rotina de jogo, o que obriga a um esforço de concentração adicional.»
in maisfutebol

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